segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conversas de Cemitério

Nunca contei isso pra ninguém, até porque pensariam que é só mais uma daquelas histórias de realismo fantástico ou lenda urbana de acampamento, mas nunca foi tão real pra mim.

 Sexta à noite, lua cheia, bebidas e muito rock ‘n’roll, é isso que mais se quer quando se é adolescente, já era mais de meia noite, todos estavam extremamente animados com os nervos à flor da pele, estávamos passando por um cemitério quando um comentário que mudaria toda a minha vida surgiu em meio aos risos.

A sugestão, a principio, foi recebida com um pouco de receio por todos, mas aos poucos, influenciados pelo álcool todos aceitamos. O plano era pular o muro do cemitério e ver o sol nascer por entre os túmulos, e assim foi. Entre uma conversa de cemitério e outra acabamos com as três garrafas de vodka que nos acompanhava e em poucos minutos todos já estavam desacordados.

 Ainda estava escuro quando acordei com uma dor intensa de cabeça, olhei para os lados, mas não havia mais ninguém, esfreguei meus olhos tentando me recompor e ao olhar para os lados novamente deparo-me com um homem com seus 22 anos, camisa branca, calça preta, cabelo bagunçado, estava escuro demais para identificar seu rosto, mas parecia carregar o mundo inteiro no olhar. Comecei a arfar e pensei que meu coração sairia pela boca, quando duas palavras o fizeram parar.

- Acalme-se Jane.

Senti o sangue fugir de meu rosto e meu mundo começou a girar, desmaiei. Acordei zonza, a dor de cabeça ainda martelava meus pensamentos enquanto uma mão fria alisava meus cabelos, lembrei-me do que havia acontecido e levantei-me vagarosamente. Respirei fundo. Virei-me para fitar o rosto do dono das mãos mais frias que já haviam me tocado, aos poucos fui reconhecendo o homem que avistei antes de desmaiar, e com a voz tremula as palavras saíram de minha boca como um sussurro:

- Quem é você? 

- Alguém que já te amou muito. A resposta parecia ter sido ensaiada de tão convincente. Um belo sorriso ensolarado tomou conta de seu rosto e fez com que todo meu medo sumisse, deitei novamente em seu colo e adormeci enquanto ele assoviava a canção mais bela que já havia ouvido.

 A brisa fresca de um sábado de manhã é inconfundível, o vento penteava meu cabelo enquanto acordava da noite mais insana que já tinha passado, plantei meus pés no chão a fim de sair dali, tudo girava muito rápido, recolhi meus cacos e antes de partir uma coisa chamou-me atenção no túmulo onde repousei.
“Johnny, viveu por seu amor. Jane” Um frio percorreu minha espinha ao fitar a foto de Johnny e a frase grafada em negrito, incrédula caminhei até o coveiro que estava no portão do cemitério e fui o mais rápido possível para casa. Nunca esqueci daquela noite, mas ainda vejo Johnny com seu sorriso ensolarado encostado no portão do cemitério.


Postado por Natália Ferreira.
Créditos Blog Pensamentos Fritos > www.pensamentosfritos.blogspot.com

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